terça-feira, 23 de junho de 2015

Crônicas do Frio (23) - Uma Releitura

Uma Releitura (Mais Um Cândido[?])
Ah, esse é o melhor dos mundos, meu caro!
Como tudo isso é raro...
Meu mais recente Estado
É agora meu lindo e mais agradável dos castelos
Possíveis

Minha bela dama, não me rendeu um pé na bunda
Apesar de ter também me feito...
Experimentar ambos enrubescidos, causa e efeito
Atrás de biombo, na chuva, no chão, no quarto
E onde puder imaginar, as ciências do corpo
Repetidas vezes de modo
Bruto e de certa forma
Sensível

Mas, expulso do paraíso terrestre me vi
Quando guerra nossos países
Travaram

Amputados, membros mão e pés
De um lado
Seios, coração, cabeça
De outro lado

Grito ao meu caro tutor:
“Como pode? Dizes estar o melhor possível, mestre-filosofo-menino?”

E eis que de resposta:
“Se não conhecesse causa e efeito

Do belo presente italiano 
Que um dia tivestes nas mãos,
E mergulhastes profundo no corpo,
E que bebestes inebriado da mente,
Não voarias pelo mundo,
Nem conhecerias os teus limites,
Não traçarias melhor teu plano
Travaria em todos os nãos
Quiçá um belo vagabundo,
Ou o mais competente dos tristes
Agradece à bela que te libertou e com respeito
É o melhor possível sem contraposta.”

Ah! Maldito otimista que me rende
Que vejo padre e governador argentino
Tomar-me a amada
Que mato mentalmente um cristão
hipócrita por dia
Pra continuar minha jornada
E que indago sempre:
Tudo está o melhor possível
Mesmo se o saldo te torna
Desprezível?

Sigo donquixoteando pelas veias

Multicoloridas da selva
De pedra

Credos e cores nos tentando devorar
“Calma, ‘é o melhor’, por isso assim está”
Encontro rubis e ouro dentro
De pessoas e descubro
Que não os expõem
Pois o homem
Tudo e todos
Consome

* * *

Sem bela princesa em castelo
Meu castelo sou eu
Sem mestre filósofo-metafísico-orientador
É simples
Sem otimismo cego
Que seja

Inteligente

O tal otimismo
Cego

É

Alter
Ego



#PHpoemaday

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